Como melhorar a liderança e os gestores por intermédio do voluntariado?

No Jornal Valor Econômico, de 08/02/2018, a jornalista Letícia Arcoverde, de São Paulo, escreveu um texto bastante interessante, com o título “Futuros gestores brasileiros falham na comunicação”.

Ela apresentou um estudo da psicóloga, professora e consultora Maria Lúcia Rodrigues, realizado com alunos dos cursos de MBA em gestão empresarial, finanças e gestão de pessoas. O estudo relata que os profissionais melhoraram a capacidade de delegar e administrar o tempo, mas falham na comunicação, apresentam dificuldade em serem criativos e são conhecidos como “workaholics”.

Mas que comunicação seria esta? Refere-se a falta de capacidade de se fazer entender, explicar com clareza e objetividade…. floreiam demais, mas sem entendimento concreto. Ela completa que o brasileiro costuma confundir comunicação assertiva com facilidade de falar em público e ter bom relacionamento interpessoal.

Ela completa ainda que nós, brasileiros, temos facilidade de exercer a liderança “motivacional”, somos capazes de mobilizar equipe, mas não apresentam tanta facilidade de ensinar pessoas. Vejam o quadro dos perfis:

1. 75% apresentaram perfil motivacional
2. 52% apresentaram perfil de “liderança-coach”, capaz de desenvolver outras pessoas
3. 40% executam tarefas em excesso e perdem a visão do todo
4. 42% dizem que tem dificuldade de delegar
5. 54% gerencia melhor os prazos curtos e pressão no trabalho
6. 52% apresentam dificuldade em lidar com imprevistos e sofre com o estresse
7. 53% são “workaholic”- com o aumento do volume de trabalho, só pensam e agem a favor dele.
8. 86% seguem normas em excesso e bloqueiam a criatividade

A psicóloga finaliza dizendo que os responsáveis por estes números são as próprias empresas, que apresentam uma cultura muito forte, limitando a criatividade que tanto esperam de seus funcionários.
Uma frase dita pela jornalista me chamou atenção: “O brasileiro é o povo mais criativo do planeta, mas em casa, não na empresa”.

Agora, podemos pensar em alguns temas estratégicos que podemos solucionar, por intermédio de ações voluntárias, coordenadas de forma corporativa pelas empresas. Vejo hoje o “programa de voluntariado corporativo” como um “treinamento externo” que traz soluções expressivas para os 3 grandes envolvidos neste contexto: a empresa, o funcionário e o público “sociedade” beneficiada.

Referente aos itens descritos na lista acima, para todos eles podemos buscar cursos, treinamentos entre outras ferramentas para desenvolver pessoas e para melhor lidarem com estas dificuldades apresentadas, certos?

Hoje com toda a modernização das companhias, os processos, procedimentos, guias, manuais, termos e etc, as empresas desenvolvem muito bem os seus recursos, mas a parte humana, nem sempre são vistas como prioridade, quer dizer, antes das ferramentas de gestão.

Diante deste quadro, e também por conhecimento próprio, tenho visto muitas empresas recorrerem, usarem e investirem em programas de voluntariado empresarial, como uma das ferramentas para alcançarem e desenvolverem pessoas, gerando líderes mais conscientes, realistas, com a visão do todo, de lidarem com as emergências e falta de recursos… isso tudo você aprende no dia a dia, diante das dificuldades que as instituições sociais passam, e como o público envolvido.

Você pode perguntar para qualquer voluntário que já tenha realizado ou realiza ações voluntárias em instituições sociais, de forma contínua o que eles aprendem com as iniciativas. Tenho certeza que muitos responderão que aprenderam sobre:

 desenvolver habilidades ou novas competências,
 autoconhecimento e motivação,
 gerenciamento de riscos,
 otimização de tempo,
 percepção do todo,
 respeito ao próximo,
 desenvolvem o dom da paciência e persistência,
 aprendem a delegar e a confiar no resultado final,
 desenvolvem a confiança para se comunicarem de forma clara,
 executam tarefas imediatistas e de emergência,
 desenvolvem uma criatividade incrível devido aos poucos recursos,
 gerenciam os poucos recursos financeiros…”aprendem a fazer mágicas” neste caso 😊
 conseguem enxergar e escutar o outro,
 crescem como pessoa e como profissional, pois eles colocam em prática tudo o que aprendem nestes ambientes, como voluntários.

Enfim, poderia descrever muitos outros benefícios que um voluntário retém, e que as empresas podem se apropriar destes benefícios internamente com estes indivíduos diferenciados, bastam enxergar com um olhar estratégico.

Espero que tenham gostado do texto de hoje. E desejo a todos uma incrível semana, pois “quando somos voluntários, nos tornamos pessoas melhores”.

Um abraço
Alessandra Lazarin

Link da matéria: http://www.valor.com.br/carreira/5313781/futuros-gestores-brasileiros-falham-na-comunicacao

alessandralazarinramos

Trabalho desde 1995 como voluntária com adolescentes e jovens, ensinando que pelo comportamento e amor ao próximo podemos fazer a diferença que queremos para o nosso mundo!

2 comentários em “Como melhorar a liderança e os gestores por intermédio do voluntariado?

  • 21/05/2018 em 09:01
    Permalink

    Muito boa as informações e vejo claramente esses benefícios na liderança. Porém ainda temos líderes resistentes a acharem tempo para se dedicarem ao voluntariado.

    Resposta

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